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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO RIO GRANDE DO SUL

Justiça para o Século XXI: o olhar de duas professoras

 

Quando pensamos em Justiça Restaurativa pensamos inicialmente em uma cultura de paz nas escolas.

E esta cultura de paz não pode acontecer em momentos estanques de projetos diluídos no espaço e no tempo escolar. Esta cultura de paz pressupõe uma mudança de paradigma da escola, pressupõe rever nossa filosofia educacional. Que tipo de homem quero formar? Que sociedade, que mundo eu quero? Pressupõe nos despirmos de ranços, de preconceitos, de julgamentos, de fazeres pedagógicos arraigados, oriundos de uma lei ditatorial que persiste em sobreviver, ainda, em muitas das ações escolares. Precisamos nos entender como seres humanos, enxergar e receber o outro como ser humano, lidando de modo diferente com as diferenças, as singularidades, elaborando, assim, respostas não violentas à violência.

É desse resgate da pessoa que existe em cada professor, em cada aluno, em cada funcionário, em cada pai, em cada mãe, que dependerá a instauração dessa escola que compartilha e o despertar de sujeitos que se sintam multiplicadores de uma cultura de paz.

Desse lento andar interno já se refletem algumas mudanças em nossa vida escolar e a convivência tem se pautado, quase sempre, no diálogo, na escuta. A busca da concretude dos valores universais está lançada.

Logo, quando iniciou-se o curso JUSTIÇA PARA O SÉCULO XXI, o grupo de colegas, na escola, verbalizava sua esperança na resolução de conflitos de uma outra forma, que viesse para implantar um clima mais amistoso, mais seguro, trazendo tranqüilidade para o desenvolvimento de suas práticas. Parecia que já estávamos preparados para o novo. No entanto, conforme o aprofundamento, as leituras, as discussões em grupo e a certeza de que o projeto é algo mais que novo, é algo que mexe com nossas convicções internas, foram surgindo desacomodações, dúvidas, incertezas e até mesmo desconfiança quanto a aplicação dessa utopia intitulada Justiça Restaurativa, na escola.

Nós, enquanto porta-voz da JR nas escolas públicas estaduais, acreditamos na utopia e temos a esperança de implementar este projeto de forma efetiva nas nossas escolas e também de sermos multiplicadoras desta visão de justiça para que todas as escolas tenham uma única voz, a da comunicação não violenta.

Estamos iniciando um caminho, mas temos vontade, temos bem-aventurança e principalmente temos fé no ser humano que tem dentro de cada um, precisamos apenas, aprender como resgatá-lo para uma vida pacífica.

 

Clemi Guindani Gonçalves

Cláudia Stamm

 

Porto Alegre, 04 de novembro de 2005.

 

 

 

Avaliação do curso Justiça para o Século XXI

 

Fomos mais ouvintes do curso todo. Ouvimos e processamos atentamente a todas as informações, as discussões, as sugestões, as experiências, porque este foi nosso primeiro contato com a Justiça Restaurativa. Chegamos querendo saber, no entanto, o terminamos ávidas por saber, saber mais, saber muito.

Muitas vezes nos sentimos deslocadas frente assuntos que julgávamos pertinentes apenas a Justiça propriamente dita.

Agora, sabemos o quão importante é essa união das instituições aqui representadas para um olhar diferenciado sobre nossas crianças e nossos adolescentes. Sentimos falta de representantes dos Conselhos Tutelares.

Gostaríamos, também, que tivesse sido dado mais ênfase a literatura sobre CNV e às práticas de Círculos Restaurativos.

Dominic Barter merece ser ouvido sempre. Suas falas desacomodam, desequilibram, instigam, desafiam e impulsionam para a aprendizagem dessa nova maneira de se comunicar e para a percepção do outro e de nós mesmos como seres humanos. O curso tornou-nos "desejantes" de aprender e de fazer JR.

Nós, como representantes da Educação Pública Estadual agradecemos o convite para participar desta formação de vanguarda e esperamos fazer jus as expectativas da Secretaria de Educação e dos idealizadores deste projeto de multiplicarmos a idéia de Justiça Restaurativa na busca de um mundo melhor, logo mais justo.

 

 

Continuidade - o que faremos em 2006

 

·         Grupos de estudo. Estudar muito.

·         Atividades, técnicas para aprender a falar de necessidades e sentimentos.

·         Reformular práticas pedagógicas instaladas.

·         Buscar alternativas para que a comunidade se torne mais presente, participando de forma efetiva desta reconstrução.

·         Identificar casos de Bulliyng ( professores e alunos)

·         Vivenciar com a comunidade escolar práticas restaurativas.

·         Criar um espaço específico para Círculos Restaurativos

·         Realizar Círculos Restaurativos

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